Por Alexandre Rossi – Dr Pet
O calor não afeta apenas o corpo de cães e gatos, mas pode alterar o humor, a rotina e a forma como interagem com a família. Muitos tutores percebem que o pet fica diferente nos dias quentes, mas nem sempre associam essas mudanças ao desconforto térmico.
Então, observar essas alterações ajuda a entender melhor o que está acontecendo e a tomar providências caso surja algum problema. Confira, a seguir, o que muda no seu pet no calor e o que fazer para ajudá-lo.
Quando a temperatura sobe, a primeira coisa que o pet costuma fazer é economizar energia. Ele naturalmente reduz a disposição para brincadeiras, anda mais devagar e evita atividades que exijam esforço. Isso acontece porque o corpo já está trabalhando intensamente para manter a temperatura interna sob controle, e movimentos adicionais geram mais calor.
Outro comportamento comum é a busca por superfícies frias. Muitos cães abandonam a cama e preferem deitar no piso frio, no banheiro ou em áreas com azulejo. Essa escolha não é por acaso: superfícies frescas ajudam a dissipar calor pelo contato direto com a barriga e as patas, aliviando o desconforto.
Já os gatos costumam buscar locais altos e arejados, onde a circulação de ar é melhor, como acontece aqui em casa com a minha gatinha, Miah. Ela vai pra cima do closet, num canto perto da janela. Vale lembrar que gatos sentem menos calor que cães, mas isso não significa que estejam imunes à temperatura.
Também é frequente que o pet mude a postura ao deitar. Em vez de se enrolar, ele se estica, aumentando a área de contato com o chão e facilitando a troca de calor.
O calor interfere diretamente no apetite. Isso acontece porque o processo de digestão gera calor interno, e o corpo naturalmente reduz a vontade de comer para evitar sobrecarga térmica. Não é motivo para preocupação imediata, desde que o pet continue bebendo água e mantenha uma disposição mínima.
Por outro lado, a sede aumenta. O animal passa a beber mais água ao longo do dia para repor o que perde pela respiração acelerada e pela salivação. Ou seja: é importante oferecer água fresca e trocar com frequência para estimular a hidratação.
Muitos tutores me perguntam se pode colocar gelo na água. Pode sim, desde que a água não esteja extremamente gelada a ponto de causar desconforto gástrico. O ideal é manter a água fresca, mas não congelada. Então, ir adicionando cubos de gelo à água funciona bem.
O calor também altera o sono. Cães e gatos que dormem bem podem começar a acordar várias vezes durante a noite, trocar de posição com frequência ou procurar outros locais para descansar. Mesmo à noite, se o ambiente não estiver fresco o suficiente, o desconforto térmico impede o relaxamento completo.
Por causa disso, muitos animais ficam mais cansados e acabam cochilando mais durante o dia, principalmente depois das horas mais quentes. Eles também tendem a ficar mais ativos no início da manhã ou no final da tarde, quando a temperatura está mais amena.
Por isso, se o pet anda acordando ofegante ou inquieto durante a noite, vale a pena melhorar a ventilação do ambiente, oferecer uma superfície fresca para ele deitar ou até ligar um ventilador em velocidade baixa, mantendo o fluxo de ar indireto.
Pets desconfortáveis podem ficar mais irritados. Cães que adoram receber carinho podem se afastar ou demonstrar incômodo quando tocados. Gatos costumam evitar o colo e preferem manter distância. Isso não significa que o pet deixou de gostar do tutor, mas sim que o contato físico aumenta o desconforto.
Já animais que convivem bem entre si também podem apresentar menos paciência uns com os outros. Brigas leves ou rosnados podem aparecer com mais frequência. Nesses casos, garantir espaços individuais e recursos suficientes (como bebedouro, caixas de areia e tapetes higiênicos) para todos ajuda a evitar conflitos.
É muito importante conhecer o comportamento normal do seu pet. Cada animal tem seu jeito, e saber como ele age no dia a dia ajuda a identificar quando algo está fora do padrão. O Bruno, meu cão, ama dormir na cama com a gente mesmo no calor, então, eu sempre tomo o cuidado de ligar o ar-condicionado. Sem isso, ele fica inquieto a noite toda procurando um lugar mais fresco.
Quando o tutor percebe essas alterações comportamentais, algumas ações simples já fazem bastante diferença. Primeiro, respeitar o ritmo do pet é fundamental: se ele não quer brincar ou interagir, não force. Além disso, manter água sempre disponível e fresca é essencial, e claro, evitar atividades intensas nos horários mais quentes.
Outra coisa que muita gente me pergunta é sobre a tosa. Em algumas raças e situações, tosar o pelo pode ajudar bastante no conforto térmico, mas vale consultar um profissional para avaliar o tipo de tosa mais adequada para o seu pet.
Agora, se a falta de apetite persistir por mais de um dia ou se o pet parecer apático demais, mesmo em ambiente fresco, aí vale buscar orientação veterinária. Essas mudanças podem indicar que o corpo está enfrentando dificuldade maior do que o esperado.
Filhotes, idosos, animais com doenças crônicas e raças braquicefálicas precisam de mais atenção. Esses cães têm menor capacidade de regulação térmica e podem apresentar mudanças comportamentais mais intensas ou rápidas. Já os gatos merecem atenção especial porque costumam esconder desconfortos.
Para saber mais sinais de alerta no calor, vale conferir o vídeo da Petz TV sobre o tema:
No fim das contas, cada pet reage ao calor do seu jeito. Conhecer bem o seu animal e prestar atenção nessas mudanças faz toda a diferença para mantê-lo confortável e seguro durante os dias quentes.
Adotar um pet é um gesto de amor que transforma duas vidas: a do animal…
Os pets são uma grande companhia. Por isso, muitas pessoas se preocupam em manter a…
Quem está em busca de um pet diferente já pode pensar em como comprar um…
As abelhas produzem diversas substâncias benéficas para os seres humanos. Estudos já comprovam que algumas…
Se você é responsável por gatos, já deve ter percebido que muitos não resistem a…
Os cães são conhecidos por serem ótimos companheiros para o ser humano, mas às vezes…