Por Alexandre Rossi – Dr Pet
Muita gente me pergunta: o que fazer ao encontrar um animal abandonado? Esse assunto é importante, porque resgatar envolve cuidados que vão além da boa intenção. Ao longo da minha vida, convivi com muitos pets que vieram de situações de abandono. A Estopinha, o Barthô, a Miah e até o Bruno nasceram dessas histórias.
Cada um chegou depois de passar pelas mãos de pessoas que resgataram, cuidaram e deram uma segunda chance. Esses casos sempre mostram o quanto o resgate é necessário e como pequenos gestos podem mudar a vida dos animais.
Resgatar não é só levar para casa. Envolve avaliar riscos, tomar decisões responsáveis e entender que aquele animal pode estar assustado, debilitado ou doente. Por isso, separei algumas dicas para te ajudar nessa missão.
O primeiro passo é garantir segurança. Observe o comportamento do animal à distância. Veja se ele está mancando, muito assustado, se tenta se esconder ou se demonstra sinais de defesa. Fale baixo, se aproxime devagar e nunca corra em direção a ele. Oferecer um pouco de comida no chão costuma ajudar, porque cria uma aproximação e mostra que você não representa ameaça.
Se ele permitir manipulação, use uma coleira de pescoço simples com guia, que costuma ser a opção mais segura. Mas em muitos resgates isso não é possível. Por isso, vários protetores usam a guia unificada, que é prática e se adapta a qualquer tamanho. O importante é aplicar com cuidado, sem puxões e sem apertar demais, e trocar pela coleira comum assim que o animal estiver em um local seguro.
Depois de conter o animal, leve-o para um espaço seguro e separado. Nada de apresentar seus pets nesse momento, mesmo que ele pareça tranquilo. O objetivo é retirar o animal da situação de risco, oferecer água, permitir que ele se acalme e garantir que você consiga seguir para os próximos passos.
Assim que o animal estiver seguro, leve-o ao veterinário. Muitos chegam com pulgas, carrapatos, vermes, feridas, dermatites ou infecções que não aparecem de imediato. O check-up ajuda a identificar o que precisa de cuidado urgente e também protege os pets que já vivem na sua casa.
Depois do check-up, começa uma etapa importante: a quarentena. Ela nada mais é do que manter o animal separado dos seus pets por alguns dias enquanto você observa como ele se comporta e como a saúde dele evolui. Organizações e abrigos recomendam um período de sete a quatorze dias, porque muitas doenças ficam incubadas nesse intervalo.
A quarentena também ajuda emocionalmente. Animais que vêm da rua chegam assustados, cansados e sobrecarregados com tantos estímulos. Ter um espaço tranquilo, com água fresca, comida e uma rotina estável faz o pet relaxar e entender que está em segurança.
Muita gente tem receio de oferecer lar temporário por achar que o animal pode sofrer ao mudar de casa depois. Na verdade, o lar temporário é uma das etapas mais importantes para animais resgatados, porque dá a eles descanso, estabilidade e cuidados que seriam impossíveis de oferecer na rua ou em abrigos lotados.
O lar temporário não existe para “enganar” o animal. Ele serve para que ele se recupere, receba atenção individualizada e volte a confiar nas pessoas. É por isso que tantos pets encontram boas famílias depois de passar por lares temporários.
Aqui em casa já vivi duas situações diferentes. O Barthô chegou como lar temporário, mas acabou ficando. Foi uma escolha, não uma regra do processo. A maioria dos lares temporários funciona como aconteceu com a Maia. Ela foi muito bem cuidada por aqui, recebeu treinamento e depois encontramos um lar maravilhoso para ela. Esse é o objetivo principal do lar temporário.
Uma dúvida comum é entender por que tantos animais resgatados chegam com medo. Isso pode acontecer por experiências negativas, sustos repetidos ou falta de socialização na fase correta da vida.
Um animal assustado não está sendo “difícil”. Ele está tentando sobreviver em um ambiente novo. Medo de barulho, desconfiança, tentativas de fuga e reatividade são respostas normais para quem passou por situações inseguras.
Com o tempo, esses comportamentos melhoram. A chave é oferecer previsibilidade. Um animal traumatizado precisa de calma, repetição e uma rotina constante. E muito reforço positivo para aprender a confiar novamente.
Resgatar um animal é uma responsabilidade grande, mas também é uma das experiências mais transformadoras que existem.
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Alexandre Rossi, conhecido como Dr Pet, é especialista em comportamento animal, zootecnista e médico-veterinário. Junto de seus pets, Estopinha e Barthô (in memoriam), Bruno e a gatinha Miah, ele é a maior referência no assunto do Brasil, divulgando seu conhecimento em estudos científicos, cursos on-line, programas de TV e redes sociais.
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