Tem uma situação que muitos pais conhecem: o filho pede um cachorro e, para convencer a família, promete que vai dar comida, passear, limpar o cocô e cuidar de tudo. Só que, quando o animal chega, aquela empolgação inicial pode mudar bastante.
Já vi muitos pais transformarem essas promessas em cobranças. O cachorro fez xixi fora do lugar? A criança leva bronca porque não limpou. Esqueceu alguma tarefa? Vem outra discussão. E uma convivência que tinha tudo para ser gostosa acaba virando motivo de conflito.
Por isso, gosto sempre de lembrar que pet não é presente nem brinquedo. A decisão de ter um animal precisa ser da família, e os adultos continuam responsáveis pelo bem-estar dele.
Isso não significa que as crianças devam ficar de fora dos cuidados. Pelo contrário. Existem muitas maneiras de envolvê-las e aproveitar essa convivência para ensinar coisas importantes.
Colocar a comida no potinho, ajudar a trocar a água e participar de alguns cuidados com a higiene são bons exemplos de atividades que podem fazer parte da rotina infantil. Claro que tudo depende da idade e da maturidade da criança. Os adultos precisam orientar, acompanhar e conferir se as necessidades do animal foram atendidas.
Aqui em casa, por exemplo, a minha enteada Manu participa bastante dos cuidados com os pets. Ela ajuda com a alimentação e com os horários dos medicamentos, sempre com nosso acompanhamento. E acho muito bacana perceber como ela se sente importante por contribuir com a rotina. Muitas vezes, na correria, ela até nos lembra de alguma coisa!
Já a irmã dela, a Antonela, teve uma experiência engraçada quando era mais nova. Ela resolveu assumir a tarefa de recolher os cocôs dos cachorros e, no começo, estava toda animada. Sabe quanto tempo durou? Uns dois ou três dias. Depois, descobriu que limpar cocô toda hora é bem chato. E tudo bem. A gente pode incentivar a participação, combinar tarefas e ensinar responsabilidade sem transformar cada esquecimento em uma bronca.
Uma das atividades que mais gosto de fazer com crianças é ensinar elas a treinar os cachorros. E não precisa começar com nada complicado. Comandos como “senta” e “dá a pata” já podem render momentos muito divertidos, além de ajudar a desenvolver a comunicação entre eles.
Para ensinar o senta, por exemplo, podemos mostrar à criança como usar grão da ração para atrair a atenção do cachorro e facilitar o movimento. Quando ele senta, recebe a recompensa naquele momento. Parece simples, mas existe bastante aprendizado envolvido: a criança precisa despertar o interesse do animal, observar o comportamento dele, ter paciência e perceber cada pequeno avanço.
Outra atividade muito legal é preparar brincadeiras de enriquecimento ambiental. As crianças podem ajudar a esconder ração em brinquedos apropriados ou criar desafios simples para o cachorro procurar comida. Além de ocupar os animais, essas brincadeiras dão às crianças a oportunidade de participar ativamente do bem-estar deles. E ver a alegria delas quando o cachorro consegue resolver um desafio é muito bacana.
Tem uma orientação que sempre dou às famílias e considero uma das mais importantes para a segurança das crianças: ensinem os pequenos a chamar o animal para interagir, respeitando a escolha dele de se aproximar ou continuar onde está.
Imagine um cachorro descansando na cama. A criança quer fazer carinho e vai até ele, tenta abraçar ou pegar ele no colo. Dependendo da situação, o animal pode ficar incomodado e até reagir para se defender.
Por isso, uma boa alternativa é ensinar a criança a se agachar e chamar. Ela pode usar uma voz animada e convidar o pet para uma brincadeira ou mostrar um petisco. Se ele vier e demonstrar que está confortável, a interação pode acontecer. Se preferir continuar descansando, é importante respeitar.
Aqui em casa, já passamos por situações assim com o Bruno. Ele gosta de carinho, mas também tem momentos em que quer ficar quietinho. E as meninas precisam respeitar isso, mesmo quando estão morrendo de vontade de pegar ele no colo.
O mesmo vale para os gatos, que podem tentar escapar quando são segurados contra a vontade. Ensinar a criança a observar esses sinais é uma oportunidade de desenvolver respeito pelas necessidades dos animais.
As brincadeiras também podem fazer parte das responsabilidades das crianças, respeitando a idade delas e as características do animal. Afinal, ter um cachorro em casa pode ser um ótimo incentivo para sair das telas, se movimentar e aproveitar momentos ao ar livre.
Já nos passeios, é preciso avaliar se a criança consegue conduzi-lo com segurança. Um cão que puxa muito a guia, por exemplo, pode derrubá-la ou escapar. Por isso, a presença e a orientação de um adulto são fundamentais.
Também precisamos acompanhar as brincadeiras dentro de casa. Filhotes, por exemplo, costumam usar bastante a boca e podem começar a morder durante a interação. Uma criança pode se assustar, correr e acabar estimulando ainda mais esse comportamento.
Nesses casos, é interessante ter um ambiente organizado, com brinquedos apropriados e até uma grade que permita interromper a interação com segurança. Assim, tanto a criança quanto o cachorro conseguem descansar quando precisam.
Quer saber alguns benefícios da convivência entre crianças e pets? Confira o vídeo de Alexandre Rossi para Petz TV:
E aqui vai uma última dica: procurem dividir com os filhos as partes gostosas dessa convivência. Deixem que participem dos treinos, preparem brincadeiras, ajudem nos cuidados e descubram, aos poucos, tudo o que envolve viver com um animal. Afinal, existem muitas responsabilidades que as crianças podem aprender a assumir, enquanto os adultos garantem que o pet receba todos os cuidados necessários.
Cuidar da saúde na terceira idade do seu pet faz toda a diferença, e a…
Se você acabou de adotar um gato que ainda não foi castrado, é comum se…
Quando não entendemos por que cachorro velho fica girando, é natural sentir preocupação. Essa angústia…
Desde a Antiguidade, o cavalo-marinho é um animal que habita o imaginário dos seres humanos.…
A pancreatite em gatos é uma inflamação do pâncreas, um órgão localizado próximo ao estômago…
Embora tenham hábitos carnívoros, é bastante comum ver felinos demonstrando interesse por folhagens. Porém, é…