Erliquiose canina: conheça a temida doença do carrapato

Postado por PETZ, em 23/03/2019

Cachorros
Erliquiose canina: conheça a temida doença do carrapato

Alguns tutores não dão muita importância quando o cão está parasitado por carrapatos porque acreditam que, na pior das hipóteses, o pet pode ter uma reação alérgica e passar a se coçar. Mas eles estão muito enganados. Conheça agora a erliquiose canina, uma doença muito séria!

Mais conhecida como doença do carrapato, é uma das muitas enfermidades transmitidas por esse tipo de ectoparasita que, a exemplo de pulgas e pernilongos, se reproduz com mais facilidade nas estações mais quentes do ano.

Ao levar à destruição das células sanguíneas, a doença tem impacto no sistema imunológico e na capacidade de cicatrização do organismo do hospedeiro, o que causa uma série de outras complicações.

Quem causa a erliquiose canina?

A doença é causada por uma bactéria, a Ehrlichia, transmitida pelo Rhipicephalus sanguineus, o famoso carrapato marrom. O carrapato se contamina quando pica um animal parasitado e, ao picar um segundo cão, transmite a doença.

A bactéria cai na corrente sanguínea e se replica nas células de defesa (os glóbulos brancos), que estão nos linfonodos, no baço e na medula óssea, causando a destruição dessas células. Hemácias (glóbulos vermelhos) e plaquetas também podem ser destruídas.

O resultado é um cão debilitado, anêmico, podendo ter sangramentos em vários órgãos do corpo e apresentar doenças secundárias, já que o sistema de defesa está funcionando mal.

Fases e sintomas da doença

Como todas as doenças que afetam o sistema imunológico, o prognóstico da erliquiose canina não é igual em todo cachorro. Os sintomas variam de acordo com a gravidade da infecção, a resposta do organismo, a espécie de Ehrlichia envolvida no caso e até a presença de outros tipos dessa bactéria ou de outros microrganismos transmitidos pelo mesmo vetor no organismo do cão.

Fase aguda da erliquiose

Após o animal ser picado pelo parasita infectado, a doença tem um período de incubação de sete a 21 dias, no qual a bactéria está se multiplicando, e o organismo do cãozinho está tentando vencer a doença.

Nesse período, a infecção pode não ser notada, porque as manifestações clínicas são muito leves e inespecíficas, como apatia, sangramentos pontuais e perda de apetite eventual. Nos exames de sangue, no entanto, o número de células de defesa já tende a cair.

Se o organismo do animal não vencer a bactéria, os sinais clínicos da doença ficam mais evidentes de uma a três semanas após a picada.

Eles sugerem a presença de uma infecção, mas seguem inespecíficos. Os principais sintomas da fase aguda da doença são:

  • Febre;
  • Fraqueza e falta acentuada de apetite;
  • Presença de manchas avermelhadas na pele,
  • Chances de sangramento na urina e pelas narinas,
  • Possibilidade de alterações oculares e neurológicas, como convulsões, conforme os pontos nos quais houver sangramento.

A fase aguda dura de duas a quatro semanas, e há bichinhos que infelizmente não sobrevivem à doença.

Fase subclínica da doença

Com o tratamento da erliquiose, a sintomatologia da fase aguda vai se atenuando após algumas semanas, e o cachorrinho entra na fase subclínica da doença.

Nessa fase, a bactéria persiste no organismo do animal e os títulos de anticorpos são altos. Durante anos, pode haver leve alteração nos exames de sangue, mas as manifestações clínicas deixam de ser evidentes.

Essa intensa resposta do organismo pode levar a dois desfechos: ou ele elimina o agente ou os complexos formados pela bactéria e os anticorpos (chamados de imunocomplexos) passam a se depositar em vários órgãos do corpo, o que marca a terceira fase da doença.

Fase crônica da enfermidade

O paciente apresenta, de forma atenuada, os mesmos sinais clínicos na fase aguda, mas, na etapa crônica, o que mais chama a atenção é a instalação de infecções secundárias (pela debilidade do sistema de defesa) e o comprometimento da medula óssea, que leva à imunossupressão, à persistência da anemia e à queda na contagem de plaquetas.

Além disso, os imunocomplexos depositados nos órgãos do paciente podem causar problemas renais, artrites, entre outros problemas graves.

A erliquiose canina passa para o ser humano?

A erliquiose é sabidamente uma zoonose, mas não há transmissão direta do cão para os seres humanos. Ela sempre se dá pela picada do carrapato.

Além disso, as Ehrlichias que mais afetam os humanos não são da mesma espécie das que mais acometem o cãozinho, embora a infecção seja possível por qualquer espécie da bactéria em cães e em humanos.

Em caso de contaminação, os sintomas na gente são semelhantes aos apresentados pelos cachorros: febre, fraqueza, aumento dos linfonodos e outros sinais de infecção e de imunidade baixa, com risco de doenças secundárias.

Diagnóstico e tratamento

A erliquiose crônica tem cura! Portanto, informar ao médico-veterinário que o bichinho foi picado por um carrapato ou se esteve em locais com chances de isso ter acontecido já é meio caminho andado para ajudá-lo a chegar mais rapidamente ao diagnóstico da doença.

Com essas pistas, o profissional poderá solicitar testes sorológicos capazes de identificar a doença mesmo na fase subclínica que, como dissemos, tende a ser assintomática.

Feito o diagnóstico, nosso amiguinho peludo pode ser curado, independentemente da fase em que ela tenha sido identificada. Mas, como muitas doenças, quanto antes for realizado o diagnóstico, mais rápido e eficaz será o tratamento, diminuindo, inclusive, as chances de sequelas.

O tratamento é feito à base de antibióticos e, em muitos casos, a transfusão de sangue se faz necessária.

Como prevenir a erliquiose canina

Não existe vacina contra a erliquiose. A melhor prevenção é o combate aos carrapatos, com algumas medidas:

  • Aposte no uso de produtos que acabem com pulgas e carrapatos, mantendo atenção ao porte do animal e à validade do fármaco;
  • Periodicamente, dedetize os ambientes por onde o pet circula com produtos específicos para dar fim às pulgas e aos carrapatos,
  • Redobre a atenção no verão ou ao viajar e, de preferência, faça uso de mais de um produto contra ectoparasitas (uma boa opção é associar pipeta e coleira, por exemplo),
  • Dê sempre uma olhada na pele do cachorro em busca de pulgas e de carrapatos, sobretudo nas orelhas, entre os dedos e no pescoço.

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