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Calor e pets: sinais de alerta e como evitar que evolua para insolação

Publicado em 03 de janeiro de 2026

Tempo de leitura: 5min

Imagem de cachorro bebendo água

Por Alexandre Rossi – Dr Pet 

Nos dias quentes, os pets têm muito mais dificuldade para manter a temperatura interna estável. Cães e gatos contam com poucos mecanismos para se resfriar e, por isso, precisam recorrer a ofegar, buscar sombra e diminuir o ritmo sempre que o calor aumenta. O problema é que esses recursos são limitados e podem não dar conta quando o ambiente fica quente demais.

Essa dificuldade é ainda maior porque os cães respiram o ar que circula perto do chão, onde a temperatura costuma ser mais alta. O asfalto acumula calor ao longo do dia e libera esse calor direto no corpo do animal, o que faz a temperatura subir mais rápido, mesmo em passeios curtos.

Por isso, entender como esses sinais aparecem e como o corpo reage ao calor ajuda muito o tutor a perceber quando algo já não está normal.

Sinais iniciais de que o pet está superaquecendo

Os primeiros sinais de aquecimento aparecem cedo. O pet passa a ofegar mais do que o normal, mesmo sem esforço, e a língua fica bem para fora.

A respiração acelerada é o principal recurso para liberar calor e indica que o organismo já está trabalhando acima do comum. Nessa hora, muitos animais reduzem a intensidade das atividades, evitam brincadeiras, procuram superfícies frias e preferem ficar parados.

Outro ponto comum é a salivação aumentada. Em alguns cães, a boca chega a pingar. Gatos podem apresentar respiração rápida, mesmo sem abrir a boca, o que já revela esforço térmico. É quando essas mudanças começam a aparecer que fica evidente que o corpo já está enfrentando dificuldade para lidar com o calor.

Imagem de gato

E é justamente nessa fase inicial que o tutor já deve agir, porque esperar evoluir torna o quadro muito mais difícil de controlar. O ideal é interromper qualquer atividade, levar o pet para sombra ou um ambiente ventilado e oferecer água fresca. Muitas vezes, essa pausa simples já ajuda o corpo a recuperar o equilíbrio antes que o quadro evolua.

Quando a temperatura começa a sair do controle

Se mesmo após essa pausa o pet continua ofegante, perde firmeza ao andar e parece desorientado, já existe risco de hipertermia, que é quando o corpo não consegue mais regular o calor de forma eficiente.

Quando o pet chega nesse estágio, o tutor precisa agir rápido. O ideal é mover o animal imediatamente para um local mais fresco e com boa circulação de ar e umedecer levemente o corpo dele com água em temperatura ambiente para ajudar a dissipar calor sem causar choque térmico. Colocar o pet deitado sobre uma superfície fria também pode aliviar o aquecimento.

Se mesmo assim o pet continuar muito ofegante, fraco ou desorientado, o risco de evolução para insolação aumenta bastante e é essencial buscar por atendimento veterinário de referência, como o Centro Veterinário Seres.

A fase da insolação

A insolação acontece quando a temperatura interna continua subindo e passa do limite de segurança, sendo a forma mais grave de hipertermia. Nessa fase, o corpo começa a falhar. O pet pode apresentar vômito, diarreia, salivação extrema, tremores, apatia intensa ou até perder a consciência.

A insolação exige atendimento veterinário imediato. Enquanto isso, o tutor pode umedecer o corpo do pet com água em temperatura ambiente para tentar estabilizar a temperatura até chegar ao atendimento.

Imagem de cachorro bebendo água

Por que alguns pets sofrem mais?

A tolerância ao calor varia bastante entre os animais. Cães braquicefálicos, como Pugs, Shih Tzus e Buldogues Franceses, têm menor capacidade de troca de ar e esquentam mais rápido. Pets obesos retêm calor com facilidade e filhotes e idosos também têm menor eficiência na regulação térmica.

Os gatos costumam disfarçar desconfortos e só demonstram sinais quando o problema já está mais avançado, por isso qualquer respiração acelerada em felinos deve ser levada a sério.

Além das características individuais, o ambiente influencia muito. Em dias de calor intenso, a diferença entre a temperatura percebida pelo tutor e a que o pet realmente enfrenta pode ser enorme. Isso acontece porque o cão recebe calor direto do solo quente e respira o ar mais quente preso perto do chão. Locais sem sombra, baixa ventilação, pisos aquecidos e superfícies que refletem calor fazem os animais superaquecerem rápido.

Como prevenir o superaquecimento?

Alguns cuidados simples reduzem o risco, como evitar passeios nos horários mais quentes do dia e sempre testar o chão com a palma da mão por cinco segundos antes de sair. Além disso, prefira calçadas com sombra e leve água fresca para oferecer aos poucos durante as caminhadas. Em casa, garanta acesso constante à sombra, locais ventilados e água limpa.

Durante brincadeiras, controle o ritmo, especialmente em cães muito animados que não percebem que estão ultrapassando o limite. Brinquedos congelados ou recheados ajudam a refrescar e entreter ao mesmo tempo. Molhar o corpo do pet com água em temperatura ambiente também alivia nos dias mais quentes.

Por fim, outro cuidado essencial: nunca deixe o pet sozinho no carro sem o ar-condicionado ligado. Mesmo com janelas abertas, o calor interno sobe muito rápido. Se for preciso deixá-lo no carro por instantes, o veículo deve permanecer ligado com o ar-condicionado funcionando.

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Alexandre Rossi, conhecido como Dr Pet, é especialista em comportamento animal, zootecnista e médico-veterinário. Junto de seus pets, Estopinha e Barthô (in memoriam), Bruno e a gatinha Miah, ele é a maior referência no assunto do Brasil, divulgando seu conhecimento em estudos científicos, cursos on-line, programas de TV e redes sociais.

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