Por Alexandre Rossi – Dr Pet
Quem tem filhotes de pets em casa costuma ter muitas dúvidas. Pode perguntar pra qualquer tutor: é um tal de “isso é normal?”, “posso deixar ele dormir sozinho?”, “precisa mesmo dar vitamina?” — e por aí vai. Como os filhotes ainda estão descobrindo o mundo (e os tutores também), é natural bater uma certa insegurança no começo.
Por isso, reuni aqui algumas das perguntas que mais aparecem. A ideia é te ajudar a entender melhor o que realmente importa nessa fase e o que pode ser feito para garantir que o filhote cresça saudável, equilibrado e seguro.
Uma das dúvidas mais comuns é sobre a limpeza do ambiente. Afinal, filhotes fazem xixi e cocô o tempo todo e alguns já chegam em casa com alguma infecção, como a giárdia. Mas será que é necessário desinfetar tudo o tempo inteiro?
A resposta é: depende. Se o filhote estiver saudável, a limpeza normal com água e sabão já resolve bem no dia a dia. Mas se ele estiver com uma infecção — como a giárdia, que é um protozoário que pode afetar também os humanos —, aí sim é importante desinfetar. E não é de qualquer jeito.
A principal falha das pessoas é usar água sanitária ou outro desinfetante direto na sujeira. O produto reage com a matéria orgânica e perde o efeito. Por isso, o certo é limpar muito bem primeiro, só depois desinfetar. Para giárdia, por exemplo, a diluição ideal é de cerca de 30 ml (duas tampinhas) de água sanitária para 1 litro de água.
Em locais como grama e terra, a desinfecção é quase impossível. Se o filhote estiver doente, o ideal é evitar que ele tenha acesso a essas áreas até se recuperar bem. E se o ambiente for úmido, sem sol e com muita matéria orgânica, a chance de contaminação aumenta. Nestes casos, o isolamento temporário pode ser a melhor escolha.
Essa é uma dúvida que divide até os especialistas. Tem vacinas que são amplamente recomendadas, como a de raiva. Outras, como a da giárdia, não têm consenso. Alguns guias internacionais de vacinação não a incluem como essencial, enquanto outros profissionais optam por aplicá-la dependendo da situação.
A melhor decisão é sempre feita junto com o médico-veterinário, levando em conta a saúde do filhote e os riscos da região onde ele vive. O importante é não cair na ideia de que “quanto mais vacina, melhor”. O excesso ou o uso sem indicação pode não trazer o resultado esperado.
Muita gente acredita que o certo é deixar o filhote dormindo sozinho desde o primeiro dia. Mas isso pode gerar muito estresse. Lembrando que ele acabou de ser separado da mãe e dos irmãos. Colocar o filhote num ambiente novo, sem companhia, logo de cara, pode impactar negativamente a saúde física e emocional dele.
A recomendação é simples: nos primeiros dias, deixe o filhote dormir perto de você. Pode ser no quarto ou em outro cômodo onde ele se sinta seguro com a sua presença. Com o tempo, ele vai se adaptando e pode ganhar mais independência. Esse cuidado com o bem-estar logo no começo ajuda a evitar problemas de comportamento e até doenças relacionadas ao estresse.
Essa é uma armadilha comum. Muita gente acha que dar suplemento vitamínico é sempre bom, que “mal não faz”. Mas faz. O excesso de vitaminas não é inofensivo — pode causar problemas sérios, como sobrecarga no fígado ou até atrapalhar o desenvolvimento dos ossos do filhote.
Se a alimentação já for de boa qualidade e adequada pra idade, geralmente não é preciso suplementar. E mais: dar vitaminas sem necessidade pode atrapalhar a absorção de outros nutrientes e desregular o organismo.
Outro ponto importante: alimentos como fígado, apesar de nutritivos, são muito ricos em vitamina A. Se forem oferecidos em excesso, também podem causar intoxicação.
Sim, é normal. Filhotes dormem bastante — em média de 16 a 20 horas por dia, somando o sono da noite com os cochilos ao longo do dia. O sono é fundamental para o desenvolvimento físico e mental.
Mas é importante observar o comportamento. Se o filhote está sempre sonolento, mesmo nos momentos em que deveria estar mais ativo, vale investigar. O excesso de sono pode ser sinal de alguma doença ou de bem-estar comprometido.
O contrário também preocupa: um filhote que não consegue relaxar, dorme pouco e está sempre agitado pode estar estressado ou inseguro.
Cada filhote tem seu ritmo, e isso pode variar conforme a raça, o tamanho e a fase de crescimento. O importante é oferecer um ambiente seguro, com rotina equilibrada entre atividade e descanso, e observar se o pet está se desenvolvendo bem.
É comum o filhote ficar super estimulado quando sai de casa. Qualquer movimento vira motivo pra latido: uma criança correndo, outro cachorro passando, um garçom indo e vindo. Isso acontece porque ele ainda está aprendendo a lidar com os estímulos do ambiente.
A melhor forma de resolver isso é ensinar o filhote a ter autocontrole. Isso começa dentro de casa, com comandos simples como o “não” e “fica”, aplicados em situações variadas. Assim, quando chegar em um restaurante ou praça, ele já vai estar mais preparado para lidar com o movimento.
Outro recurso valioso em restaurantes, por exemplo, é usar brinquedos recheados com comida — de preferência congelada — para manter o filhote ocupado. Isso ajuda a redirecionar a atenção e evita reações indesejadas. Mas tudo isso precisa ser treinado antes, e o tutor precisa conhecer bem o que motiva o filhote para conseguir aplicar essas estratégias na prática.
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