No universo do aquarismo, é comum questionar se o peixe sente frio, mas a resposta correta envolve conceitos científicos como ectotermia e poiquilotermia. Ao contrário dos mamíferos, a maioria dos peixes não gera calor interno por meio do metabolismo para manter uma temperatura corporal constante.
Eles dependem da temperatura da água do ambiente para ditar o ritmo de suas funções biológicas. A seguir, o blog da Petz te explica a fisiologia térmica dos peixes, a eficiência evolutiva desse mecanismo e como manter o equilíbrio térmico para a sobrevivência das espécies.
A grande maioria das espécies ornamentais é classificada como ectotérmica ou pecilotérmica. Isso significa que a temperatura do sangue e dos tecidos desses animais flutua conforme a temperatura da água em que estão inseridos. Quando o ambiente resfria, o metabolismo do animal desacelera de modo proporcional.
Ou seja, não há um mecanismo de defesa ativa contra a mudança térmica. Portanto, a afirmação de que o peixe sente frio refere-se, tecnicamente, ao estado de estresse fisiológico causado pela exposição a temperaturas abaixo da faixa ideal para sua espécie.
Nas últimas décadas, cientistas descobriram o primeiro peixe de água fria endotérmico, chamado de Opah e com tamanho de um pneu. Uma série de trocadores de calor em contracorrente nas brânquias ajudou-o a manter o sangue aquecido, o que é essencial para a sobrevivência no Pacífico.
As brânquias possuem vasos sanguíneos que conduzem o fluido térmico aquecido a partir do núcleo corporal. Esses canais envolvem os vasos situados nas extremidades respiratórias, onde ocorre a captação de oxigênio, promovendo o retorno do sangue resfriado ao sistema circulatório central.
Para entender se o peixe sente frio, é preciso também diferenciar os mecanismos de regulação térmica. Além de ser ectotérmica, a maioria dos peixes é poiquilotérmica, termo que designa organismos cuja temperatura interna varia de acordo com as oscilações do ambiente externo.
Essa característica não é uma falha evolutiva, mas uma solução adaptativa para a vida aquática. A água possui um alto calor específico, funcionando como um dissipador térmico, retirando o calor de qualquer objeto mergulhado nela.
Para um animal pequeno, tentar manter o sangue aquecido em um ambiente que retira o seu calor com constância seria inviável. Portanto, ao igualar sua temperatura à da água, o peixe economiza energia vital que pode ser direcionada para o crescimento e a reprodução.
As brânquias são órgãos eficientes para a captura de oxigênio, mas também facilitam a perda de calor. O sangue dos peixes passa muito próximo à superfície das brânquias para realizar as trocas gasosas, ficando em contato quase direto com a água, ou seja, calor seria perdido por meio da respiração branquial.
Dessa forma, quando a água resfria, o metabolismo do animal desacelera. O animal entra em um estado de economia de energia, pois seu corpo não consegue manter a velocidade dos processos químicos necessários para uma vida ativa em águas abaixo da sua faixa térmica ideal.
Os peixes no inverno e em dias mais frios ficam mais parados e se alimentam menos. Eles passam a ter uma atividade metabólica menor devido às baixas temperaturas da água e acabam comendo menos. Além disso, eles tentam se refugiar na parte mais funda para evitar as regiões sujeitas ao resfriamento.
Para saber se o peixe sente frio e tomar os cuidados necessários, observe o comportamento do animal. Se ele permanecer parado por muito tempo ou no fundo do aquário, pode ser um sinal de que já está reagindo à baixa temperatura.
Algumas espécies acabam tendo outros comportamentos em decorrência da sensibilidade ao frio. Por exemplo, o peixe betta sente frio e costuma apresentar letargia e estresse, que podem deixá-lo suscetível a doenças.
Nesse caso, os aquaristas podem ampliar o conforto das espécies com o uso de um termostato e aquecedor de qualidade. O primeiro tem a função de regular a temperatura da água, ligando e desligando quando necessário. Ele mantém a água o mais perto possível da temperatura ideal para os peixes.
Já o segundo equipamento tem a função de aquecer a água. O termostato identifica quando a água precisa ser aquecida (com base na temperatura programada) e controla o aquecedor. Ambos atuam em conjunto para manter a temperatura ideal para aquário, evitando mudanças bruscas que afetem a saúde dos peixes.
A manutenção de uma temperatura constante no aquário é essencial. Em ambientes naturais, grandes volumes de água demoram a sofrer variações térmicas, porém, em um aquário, o volume reduzido torna o ecossistema vulnerável a mudanças rápidas.
Quando o peixe de aquário sente frio devido a uma queda brusca de temperatura, o estresse térmico compromete a barreira de muco da pele, abrindo portas para patógenos, como fungos e bactérias.
Para evitar danos ao sistema fisiológico dos animais, o uso de termostatos é indispensável. Esses aparelhos garantem que, mesmo em noites de inverno rigoroso, a água permaneça nos parâmetros biológicos da espécie, evitando que o metabolismo caia a níveis perigosos de letargia ou falha orgânica.
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