Comportamento

Pet influencer: leis e dicas para expor o animal na internet com segurança

Publicado em 03 de outubro de 2026

Tempo de leitura: 5min

Mulher tirando foto com cachorro.

Fotos, vídeos e até contratos com marcas: os pets estão cada vez mais presentes nas redes sociais. Alguns deles conquistaram milhares de seguidores e se tornaram verdadeiros “pet influencers”, participando de campanhas publicitárias e produzindo conteúdo todo dia.

Mas transformar a rotina do animal em conteúdo exige mais do que uma câmera e um perfil nas redes. O bem-estar do pet deve estar sempre em primeiro lugar, principalmente quando existe uma oportunidade comercial envolvida.

A exposição do animal não é necessariamente um problema. O cuidado está em entender os limites e evitar que a produção de conteúdo interfira na saúde, na rotina e no comportamento do pet.

Existe uma lei para pet influencers?

No Brasil, não existe uma lei específica que regulamente a atividade de “pet influencer” como profissão ou determine regras próprias para animais que aparecem nas redes sociais.

Isso, porém, não significa que qualquer forma de exposição seja permitida. A legislação brasileira estabelece normas de proteção aos animais. A Constituição Federal determina que práticas que submetam os animais à crueldade devem ser proibidas, enquanto a Lei de Crimes Ambientais prevê punições para atos de abuso, maus-tratos, ferimentos ou mutilação de animais.

Na prática, isso significa que a produção de conteúdo não pode justificar situações que provoquem sofrimento, medo, dor ou risco desnecessário. É preciso lembrar que o pet não é um ser humano, mas um animal, com suas próprias limitações e necessidades.

Também vale ter atenção quando o conteúdo envolve publicidade. Se uma marca paga para que o perfil divulgue um produto ou serviço, a publicação deve deixar claro que se trata de uma ação publicitária, seguindo as regras aplicáveis à publicidade nas redes sociais.

Mulher tirando foto de gato.

Como saber se o pet está confortável?

Nem sempre o animal demonstra desconforto de maneira óbvia. Por isso, o tutor precisa observar seu comportamento durante gravações, sessões de fotos, viagens, eventos e outras situações criadas para produzir conteúdo.

Em cães e gatos, comportamentos como tentativa de fuga, se esconder, ficar ofegante, vocalizar excessivamente, apresentar postura corporal diferente ou tentar se afastar da interação são sinais de estresse. Nesse caso, a atividade deve ser interrompida imediatamente.

Outro ponto importante é respeitar os limites individuais. Nem todo pet gosta de ser filmado, usar acessórios desnecessários, interagir com pessoas desconhecidas ou participar de gravações. Se ele demonstra desconforto, não insista.

Dicas para criar conteúdo sem prejudicar o bem-estar do pet

Ter um pet influencer pode ser uma forma de compartilhar a rotina com outras pessoas, mas o conteúdo deve se adaptar ao animal, e não o contrário. Alguns cuidados ajudam a tornar essa exposição mais segura.

  • Respeite a rotina: mantenha horários de alimentação, descanso, passeios e outras atividades importantes mesmo durante gravações ou trabalhos comerciais;
  • Faça sessões curtas: evite repetir poses e cenas várias vezes para conseguir o resultado perfeito. Se o pet perdeu o interesse, é hora de parar;
  • Não force comportamentos: nunca provoque medo, desconforto ou situações de estresse para conseguir uma reação específica;
  • Cuidado com figurinos e acessórios: roupas, fantasias e objetos usados nas gravações não devem limitar os movimentos, causar desconforto ou oferecer risco de ingestão e acidentes. Sempre utilize produtos específicos para pet;
  • Escolha produtos adequados: antes de divulgar alimentos, brinquedos ou outros produtos, verifique se eles são apropriados para aquele animal. Em produtos relacionados à saúde, a orientação de um médico-veterinário é fundamental;
  • Não exponha informações sensíveis: endereço, localização em tempo real, rotina de passeios e outros dados que possam colocar o animal e a família em risco também merecem atenção.

Casal com filhote de cachorro no colo.

Quando o conteúdo passa do limite?

Uma boa pergunta para o tutor fazer antes de publicar qualquer conteúdo é: “Eu faria isso se não houvesse uma câmera gravando?” Se a resposta for não, vale repensar a situação. O alcance de um vídeo, o número de curtidas ou uma parceria com uma marca não é mais importante do que a segurança e o bem-estar do seu animal.

O pet pode, sim, participar da rotina das redes sociais. Mas ele não deve performar, repetir comportamentos ou passar por situações desconfortáveis.

No fim das contas, um pet influencer é aquele que aparece na internet sem que a vida fora dela seja prejudicada por isso. A produção de conteúdo deve fazer parte da rotina do animal de maneira natural, respeitando seus limites, necessidades e características.

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